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Azul ou Rosa para crianças

 

 

Ainda hoje é frequente associar-se a cor rosa às meninas e o azul aos meninos. Mas será que sempre assim foi? 

As referências a ‘rosa para meninas’ começaram a ser abundantes apenas a partir do final da Segunda Guerra Mundial, na década de 1940. Mas, antes era exatamente ao contrário.

Na Europa, desde a Idade Média até ao século 20, o rosa fazia parte da gama dos vermelhos (sendo considerado como um vermelho pastel), cor forte e marcadamente masculina, que simbolizava, a força, a virilidade, a autoridade e a guerra (sangue).

A cor azul, por outro lado, era atribuída às raparigas, por ser uma cor delicada, e porque ecoava a pureza da Virgem Maria, devido ao seu manto azul.

‘A regra geralmente aceita é que rosa é para os meninos, e azul para as meninas. O motivo é que o rosa, sendo uma cor mais decidida e forte, é mais apropriado para meninos. Enquanto o azul, que é mais delicado e gracioso, é mais bonito para a menina’.

O parágrafo acima foi publicado há cem anos, em 1918, por uma revista de moda infantil americana, a Earnshaw, voltada para profissionais da área. Foi encontrado por Jo Paoletti, professora emérita de Estudos Americanos na Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, e autora do livro ‘Pink and Blue: Telling the Boys from the Girls in America’ (Rosa e Azul: Distinguindo Meninos de Meninas nos Estados Unidos).

Nesse tempo, os bebês usavam vestidos brancos, independentemente do sexo. As roupas brancas eram mais fáceis de serem mantidas limpas, porque podiam ser fervidas. Além disso, era mais fácil trocar a fralda de um bebé que usasse um vestido, do que calças.

Mas, a escolha das cores para as roupas dos bebês não era necessariamente associada ao género.

‘Quando as cores foram introduzidas no vestuário infantil, tinham tons pasteis, mas não importava se era rosa ou azul. Geralmente, eram escolhidas de acordo com o tipo físico da criança. Era muito comum ver bebês de olhos azuis vestindo azul. E bebês de olhos castanhos vestindo rosa. As pessoas achavam que combinava mais’, continua Paoletti.

Um estudo de 2011 publicado pela Sociedade de Psicologia Britânica analisou a preferência de cor de bebês e crianças com idades entre 7 meses e 5 anos. Cada criança recebeu um par de objetos, um com a cor rosa e o outro com uma segunda cor. Os pesquisadores, então, observaram qual era a preferência ou rejeição pelos objetos rosas.

O resultado foi que, com até um ano de idade, meninas e meninos escolheram objetos cor-de-rosa de forma semelhante. Ou seja, não havia uma preferência de gênero pela cor.

Já aos dois anos, as meninas passaram a preferir o rosa, um pouco mais frequentemente que os meninos. E, a partir de dois anos e meio, a preferência por rosa despontou nas meninas, ao mesmo tempo que a rejeição ao rosa prevaleceu entre meninos.

Segundo as pesquisadoras, a preferência pelo rosa nessa idade pode ser explicada pela identificação de gênero que é dada pelos adultos, e acaba absorvida pelas crianças.

‘As descobertas vão na contramão da sugestão de que as preferências de cor podem ter uma base biológica. Alguns pesquisadores propuseram que há mais vantagem evolutiva para mulheres que são atraídas por cores de frutas, como o rosa. Mas, se as mulheres tivessem uma predisposição biológica ao rosa, então isso seria evidente independentemente da aquisição de conceitos de gênero’.

Em outras palavras, seria perceptível em qualquer estágio de vida.

Pesquisadora americana explica que a divisão de gênero das cores é uma construção social. 'Assim, também é errada a ideia de que se você não tratar as crianças segundo um estereótipo de gênero elas vão crescer confusas, serão pervertidas, vão se tornar homossexuais, transgênero. Não há nenhuma evidência disso'. 

Ideologia de Gênero

O uso de rosa ou azul mobilizou as redes sociais brasileiras recentemente, chegando ao topo de assuntos mais comentados no Twitter. O motivo foi a divulgação de um vídeo de Damares Alves, a primeira ministra a ocupar a pasta de Mulher, Família e Direitos Humanos — criada por Jair Bolsonaro, em substituição ao Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos do governo de Dilma Rousseff.

‘Atenção, atenção! É uma nova era no Brasil. Menino veste azul e menina veste rosa!’, fala Damares Alves no vídeo. A frase foi acompanhada em coro por apoiadores. Em seguida, todos pularam em comemoração — inclusive a ministra, nitidamente empolgada.

O contexto da frase é a intenção do novo governo de combater a chamada ‘ideologia de gênero’. O termo, que não é reconhecido por estudiosos, foi popularizado por segmentos contrários à ideia de que gênero é uma construção social e, portanto, não está restrito ao sexo biológico de uma pessoa.

‘Fiz uma metáfora contra a ideologia de gênero, mas meninos e meninas podem vestir azul, rosa, colorido, enfim, da forma que se sentirem melhores’, disse a ministra, após a reação das redes sociais, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo. 

 


Imagem em destaque: Renoir, Pierre Auguste, 1841-1919 -^- 'Alice e Elisabeth Cahen d'Anvers', ou 'Rosa e Azul', 1881                                                    

Fonte: Jo Paoletti, professora emérita de Estudos Americanos na Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, e autora do livro ‘Pink and Blue: Telling the Boys from the Girls in America’, Terra | Palácio Nacional Mafra Portugal 

 

(JA, Jun21)

 



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