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Existência Contínua



Werner Zöllner tinha uma vida normal, em 2032, numa tranquila cidade do Sul da Alemanha. Era um jovem advogado, solteiro, trabalhando  há cerca de um ano  num renomado escritório de advocacia. Tinha diante de si a perspectiva bem definida de sucesso. Sua realização pessoal, profissional  e financeira, só dependia dele mesmo, do seu desempenho.  Estava noivo. Ele só estavam esperando sua situação financeira se consolidar, para pedi-la em casamento,  e poder realizar aquilo que era seu grande sonho: ter a própria família.



Entretanto, essa normalidade foi alterada.  Num dia qualquer, indo almoçar, estava caminhando na rua, quando  se viu numa outra condição. Ele era agora era um jovem, num país diferente do seu, numa outra época. Estava em uma lanchonete, com um grupo de outros jovens. Ele tinha consciência de quem ele era então,  quem eram os demais jovens – seus colegas de faculdade, o que estavam fazendo ali, o que teria que fazer depois, e assim por diante. Nesse outro ambiente era reconhecido, tinha uma história própria e, surpreendentemente, aquilo tudo lhe era familiar. Sentia-se bem, embora, naturalmente, estranhasse a situação.



Ele estava nos EUA e o ano era 1940. Era um jovem estudante universitário que vivia na casa dos pais, e namorava Alice, uma moça adorável, também estudante.  A vida para ele era repleta de perspectivas positivas – só restava se concretizarem. 
O jovem, que era agora, tinha o nome de John  Stevenson tinha um professor na faculdade de medicina que cursava,  o professor Robert, que era ligado em  estudos de psicologia e de física de ponta.  Foi procurá-lo, e expôs a sua situação. A reação inicial do professor foi de incredulidade. Mas, depois, com a apresentação de algumas evidências que confirmavam o que John estava falando, passou a acreditar.  Não chegou a nenhuma opinião conclusiva sobre o ocorrido com base nos seus conhecimentos atuais. Entretanto,  desenvolveu uma teoria  que não poderia ser explicável pelas leis da física tradicional, mas que poderia ajudar a explicar, a compreender, a aceitar o ocorrido.
O Professor Robert tinha convicção, como colocou,  de que todas as pessoas tem uma energia própria e única, a qual normalmente está vinculada a um corpo físico. Essa energia é a consciência potencial  de cada um e, periodicamente, é reciclada e volta a incorporar um outro corpo diferente, em algum momento, por algum motivo.  Nesse meio tempo, ela existe fora de qualquer corpo físico, em outro nível de realidade.  Essa energia, pelo que entendia até agora, estaria vinculada a um único corpo físico. Porém, por qualquer razão, a de John tinha dois vínculos conhecidos.  Pode ser que todas as pessoas tenham essa energia vinculada em mais de um corpo, sem ter a consciência disso,  ao contrário do que acontecia com John/Werner.
Além disso, continuou, os espíritas creem na reencarnação dos espíritos. Porém, essa reencarnação pressupõe morte de um corpo, a sua preparação para um novo nascimento (reciclagem). Então, o espírito, novamente encarnado, deixa de se chamar espírito e passa a ser chamado de alma, a energia daquele corpo. A justificativa é que, durante a vida física das pessoa, suas almas têm oportunidade de repararem as suas deficiências, de forma recorrente, até chegar a um estágio em que passam a ser ‘espíritos puros’, e a habitarem universos mais adequados à sua nova condição.
Em 1941 o Japão atacou a base militar norte-americana de Pearl Harbor. Os EUA então entraram na Guerra como Aliados. Houve no país uma mobilização para recrutamento de jovens para composição necessária das forças armadas. Eles se alistaram, foram selecionados e preparados para lutar.  John foi um deles.  Alistou-se na Marinha e foi treinado para servir como tripulante  de um porta aviões.
Em 1942 ele estava a bordo do porta aviões  USS Yorktown que foi designado para defender o atol de Midway, no Pacífico. Em junho desse mesmo ano, esse porta aviões participou da ‘Batalha de Midway’. Foi uma batalha aeronaval travada no Oceano Pacífico, entre as forças dos Estados Unidos e do Japão, durante a Segunda Guerra Mundial. Essa batalha ocorreu seis meses depois do ataque japonês a Pearl Harbor, que marcou o início da Guerra do Pacífico.
O resultado da batalha foi uma decisiva e crucial vitória para os norte-americanos, lembrada como o mais importante confronto naval da Segunda Guerra, marcando o ponto de virada no conflito e causando aos japoneses a perda de quatro porta-aviões e um cruzador de sua frota, além de 200 pilotos navais e 2.300 tripulantes, na frustrada tentativa de invadir e ocupar o atol de Midway, enfraquecendo permanentemente sua capacidade de combate no mar e no ar e lhes retirando a iniciativa militar pelo resto da guerra. Os EUA perderam o porta aviões  USS Yorktown,  atingido por aviões japoneses, um destroier, e sofreram baixa de 307 homens. Entre esses homens estava John. Uma vida como tantas outras, subitamente interrompida.
Porta Aviões USS Yorktown sendo atingido por aviões japoneses, Batalha de Midway, 4-Jun42
John estava trabalhando no interior de uma cabine, municiando um canhão que disparava incessantemente contra os aviões inimigos, quando houve a explosão que foi definitiva para ele e seus companheiros. A seguir, a embarcação, atingida, naufragou.

Isso era a única coisa  que ele lembrava agora, daquele momento, já como Werner, na Alemanha, em 2032.  Ainda perturbado por tudo que vivera em algumas horas – horas medidas na sua atual existência. Começou a refletir sobre, tentando encontrar uma razão, um motivo.  Pesquisando os nomes de seus ancestrais descobriu um familiar, uma mulher, de origem americana, com sobrenome de solteira 'Stevenson' – o mesmo do John. Ela havia se casado em 1953 com um seu ancestral que, embora alemão, havia vivido na Inglaterra durante a guerra, como prisioneiro. Foi quando se conheceram. Indo mais a fundo ainda, descobriu que aquela senhora era irmã do John. Ou seja, John sempre fez parte da sua história e, por alguma razão, eles compartilhavam a mesma energia. Por que? Talvez, e o mais provável, é que ele, Werner, devesse dar continuidade àquela vida interrompida, e fazer algo que, eventualmente, John gostaria, deveria, mas não pode fazer
A partir daí a sua vida adquiriu um novo significado e, em momentos de dúvida sempre se questionava: 'O que John faria numa situação como esta?' Concluiu que a vida compartilhada, embora o fizesse assumir maiores responsabilidades, estranhamente, o fazia se sentir mais aliviado, pois sabia que nunca estava sozinho. 


Com o passar dos anos, Werner se tornou um advogado muito bem sucedido e famoso. Participava de algumas das mais importantes entidades sociais  mundiais. E, através dos seus livros, palestras, acabou por influenciar decisivamente o resultado positivo de um movimento que ele ajudou a criar, e que reunia representantes das nações mais poderosas do planeta, a favor da paz - visando especialmente as regiões mais conflituosas -, e da  superação social das populações mais carentes.

Werner, refletindo sobre sua atual situação, embora soubesse que ainda havia um longo e difícil caminho a percorrer, achava fantástico e quase inacreditável o que já havia conseguido realizar. John, certamente, também estava feliz – afinal a morte dele em batalha, numa guerra que defendia a liberdade democrática e a igualdade entre os seres humanos, não havia sido em vão.  

“O  tempo e o espaço, sem a consciência do ser humano, não tem valor algum, não significa nada. Quando morremos, a energia, não deixa de existir, ela passa a integrar a grande energia universal, sem perder a sua individualidade, até poder se manifestar novamente em um corpo físico. Então, podemos inferir que, de certa forma, independentemente do tempo e espaço percorridos, todos somos imortais, no sentido que sempre existiremos de alguma forma, influenciando a realidade.”


(JA, Set15)
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