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Mata Hari

 A lenda da  espiã que pode ter sido falsamente acusada 

 

Margaretha Geertruida Zelle, também conhecida como Mata Hari

Na madrugada de 15 de outubro de 1917, a mulher conhecida em todo o mundo como Mata Hari foi executada por um pelotão de fuzilamento francês, tendo sido julgada e condenada por espionagem. 

Há muita especulação entre os estudiosos sobre se ela era ou não culpada. Aqui, acompanhada por fotos vintage lindamente coloridas pela artista russa Olga Shirnia, está sua história. 

 

Retrato de Mata Hari



Margaretha Geertruida Zelle, 1876–1917, nasceu em Leeuwarden, Holanda, filha de Adam Zelle e sua primeira esposa, Antje van der Meulen. Ela era a mais velha de quatro filhos. 

Os Zelles eram uma família abastada da classe mercantil, e Margaretha teve uma infância privilegiada. Mas sua fortuna diminuiu quando ela tinha treze anos. 

Seu pai faliu, e seus pais se divorciaram. Dois anos depois, sua mãe morreu, e sua família se desfez. 

Embora seu pai tenha se casado novamente, em 1893, Margaretha escolheu morar fora de casa, primeiro com seu padrinho em Sneek, e depois com seu tio em Haia. Ela havia estudado por um tempo para ser professora de jardim de infância, mas deixou o programa aos dezesseis anos, quando foi encontrada em uma posição comprometedora com seu diretor de 51 anos. 

‘Eu não estava contente em casa... Eu queria viver como uma borboleta colorida ao sol’.   -  Mata Hari 

Quando Zelle, de dezoito anos, viu um anúncio no jornal procurando por uma esposa, colocado pelo capitão do exército colonial holandês Rudolf MacLeod, ela viu sua chance de escapar do seu cotidiano. 

Embora MacLeod fosse vinte anos mais velho que ela, Zelle respondeu ao anúncio, e ela e MacLeod se casaram em 11 de julho de 1895, em Amsterdã. 

Após o casamento, MacLeod planejou retornar às Índias Orientais Holandesas (Indonésia) com sua esposa. 

 


 

O casal se estabeleceu na ilha de Java. e teve dois filhos: Norman-John e Louise Jeanne. Infelizmente, o casamento não foi o que a jovem havia imaginado. MacLeod, um alcoólatra, batia na esposa e mantinha abertamente uma njai, o equivalente holandês das Índias Orientais a uma concubina residente. 

Zelle logo deixou seu marido para morar com outro oficial, mas MacLeod a convenceu a retornar. Ela mergulhou na cultura indonésia, e se juntou a uma companhia de dança local. Ela adotou o nome artístico de Mata Hari, que na língua malaia significa ‘sol’ ou ‘olho do dia’.

Em 1899, os dois filhos MacLeod adoeceram gravemente, e Norman-John morreu. A família contou a história de que um servo os envenenou, mas é mais provável que sua doença tenha sido uma reação adversa a um tratamento para a sífilis que contraíram de seus pais. 

Quando a família voltou para a Holanda, em 1902, Zelle e MacLeod se separaram oficialmente. MacLeod não pagou pensão alimentícia para ela, e se recusou a devolver Louise após uma visita agendada. Sem recursos para lutar pela custódia, Zelle mudou-se para Paris sem a filha,  em 1903. 

 


Zelle teve uma série de empregos em Paris, incluindo modelo de artista e artista de circo, mas foi como a exótica dançarina Mata Hari que sua carreira realmente decolou. Seu show no Musée Guimet, inaugurado em 13 de março de 1905, foi uma sensação. Ela posou como uma princesa hindu javanesa que havia sido criada para realizar danças cerimoniais desde o nascimento. Esse tipo de história de origem ficcional era comum entre os performers da época. (Ela pelo menos aprendeu a dançar em Java) 

As performances de Mata Hari eram abafadas e sugestivas, incorporando um strip-tease gradual que deixava pouco para a imaginação. Ela às vezes tirava tudo, exceto o peitoral e as pulseiras. (Ela nunca apareceu com os seios à mostra, supostamente porque tinha vergonha do tamanho de seus seios). Seu público, entusiasmado e grato, parecia não se importar. 

‘Ela era tão felina, extremamente feminina, majestosamente trágica, as mil curvas e movimentos de seu corpo tremendo em mil ritmos’.  

(crítica contemporânea da performance de Mata Hari em um jornal de Paris) 

 

Mata Hari, 1910



Em pouco tempo, Zelle tornou-se amante do rico industrial Lyon fundador do museu, Émile Étienne Guimet. Ela tentou, sem sucesso, recuperar a custódia de sua filha. Seu ex-marido produziu fotos dela em seu traje de atuação (ou na falta dele) para convencer o tribunal de que ela era uma mãe inadequada. 

A popularidade do ato de Mata Hari levou ao surgimento de imitadores. Seus críticos eventualmente se voltaram contra ela, dizendo que seu ato era puro sensacionalismo barato, ao invés de arte.

Quando a Primeira Guerra Mundial começou em 1914, Zelle estava livre para cruzar as fronteiras porque a Holanda era um país neutro. Ela teve numerosos amantes entre os militares, e não se preocupava com a nacionalidade deles. 

 


 

Em 1915, Zelle estava chegando aos quarenta anos, e não era mais muito requisitada como dançarina. Apresentou-se pela última vez em março daquele ano, mas suas ligações com homens ricos e poderosos continuaram a financiar seu estilo de vida opulento. 

A fama de Mata Hari sempre dependeu de sua sexualidade desenfreada, mas conforme as condições pioraram em toda a Europa, o público começou a vê-la de uma forma mais crítica. 

Eles já a haviam considerado uma artista, mas agora ela parecia ser apenas uma mulher licenciosa, de lealdades questionáveis. Como ela não era mais dançarina, e estava se aproximando da meia-idade, as pessoas se perguntavam se ela não estaria complementando sua renda como espiã. 

No verão de 1916, um dos amantes de Zelle, um piloto russo que lutava pela França com o nome de capitão Vadim Maslov, foi abatido. 

Quando ela pediu permissão para visitá-lo, os agentes do Deuxième Bureau disseram que ela só teria permissão para fazê-lo se concordasse em espionar para a França. Eles lhe ofereceram um milhão de francos para seduzir o príncipe herdeiro da Alemanha, Guilherme, a fim de obter segredos militares. 

 

Margaretha Geertruida Zelle, in Amsterdam, 1915



Em novembro de 1916, Zelle deixou a Espanha, e foi detida quando seu navio chegou a Falmouth. Ela foi presa e levada a Londres, onde foi interrogada por Sir Basil Thomson, comissário assistente da New Scotland Yard, encarregado da contraespionagem. Zelle admitiu a Thomson que estava espionando para a França,  e foi libertada.

No final de 1916, Zelle encontrou-se com o adido militar alemão, Major Arnold Kalle, em Madrid. Ela perguntou se ele poderia marcar um encontro com o príncipe herdeiro. 

Mais tarde, foi alegado que ela concordou em atuar como agente duplo para a Alemanha em troca de dinheiro. Se ela pretendia espionar para a Alemanha, ou apenas queria o dinheiro, é incerto. 

Em pouco tempo, ficou claro para os alemães que eles haviam feito um péssimo negócio: Mata Hari não tinha nada útil para relatar sobre os franceses. Os franceses, por sua vez, obtiveram muito poucas informações úteis sobre os alemães. Em janeiro de 1917, os alemães transmitiram uma mensagem de rádio para Berlim, que foi interceptada pelos franceses. 

A mensagem sugeria que um agente, que correspondia perfeitamente à descrição de Mata Hari, havia fornecido à Alemanha informações úteis. Como os alemães usaram um código que eles sabiam que os franceses já haviam quebrado, parece claro que eles pretendiam tirá-la do circuito, fazendo com que os franceses a prendessem por espionagem.  O plano funcionou. 

 


Zelle foi presa em Paris em 13 de fevereiro de 1917. Foi julgada sob a acusação de espionagem para a Alemanha em 24 de julho. Os franceses fizeram a alegação duvidosa de que suas atividades levaram à morte de pelo menos 50.000 soldados. 

Embora ela tenha alegado inocência, foi considerada culpada, e condenada à morte por um pelotão de fuzilamento. 

A mulher conhecida como Mata Hari morreu nas primeiras horas do dia 15 de outubro de 1917. A testemunha ocular Henry Wales, um jornalista britânico, relatou que Zelle estava desamarrada, e se recusou a usar uma venda. 

Pouco antes de uma dúzia de soldados franceses responder ao comando de atirar, ela soprou um beijo para eles. Wales escreveu que, depois que os tiros foram disparados, ela manteve contato visual com seus algozes, enquanto caía de joelhos, e desabava para trás. 

Um oficial se aproximou do corpo caído, e disparou um único tiro em seu crânio, para garantir a morte.

Zelle morreu como vivia, sem se desculpar, desafiadora, e com a cabeça erguida.

 

 


Fonte: Denise Shelton   |   Medium

 

(JA, Nov20)

 


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