Pular para o conteúdo principal

Pote Rachado



“Uma velha senhora tinha dois grandes potes, cada um suspenso na extremidade de uma vara que ela carregava nas costas. Um rachado e o outro perfeito.
Todos os dias ela ia buscar água em um rio, e ao fim da longa caminhada de volta a casa, o pote perfeito chegava sempre cheio de água, enquanto o rachado chegava meio vazio.
Durante muito tempo isso se repetia, dia após dia, com a senhora chegando em casa somente com um vaso e meio de água.
O pote perfeito tinha muito orgulho do seu próprio resultado, e o pobre pote rachado vivia envergonhado do seu defeito, por não conseguir cumprir a sua função. Por mais que se esforçasse, somente a metade da água conseguia armazenar até a chegada a casa.
Ao fim de dois anos, refletindo sobre a sua própria amarga derrota de ser ‘rachado’, durante o caminho para o rio, o pote rachado disse à velha:
- Tenho vergonha de mim mesmo, porque esta rachadura que tenho me faz perder metade da água durante o caminho até a sua casa.
A velhinha sorriu:
- Repare as lindas flores no seu lado do caminho, somente no seu lado do caminho.
Eu sempre soube do seu defeito. Por isso plantei sementes de flores na beira da estrada, mas somente do seu lado. Todos os dias, enquanto voltamos do rio, através de sua rachadura, você deixa cair a doce água que fez brotar estas lindas flores. Nestes dois anos que percorremos este caminho, pude apanhar belas flores para enfeitar a mesa e alegrar o meu jantar. Se você não fosse como é, eu não teria a alegria de ter flores tão belas em minha casa.
Pela primeira vez, o pote rachado pode sentir orgulho de si mesmo. E a partir daquele dia, deixou de ver sua rachadura como um defeito, e sim como uma fonte de vida e de alegria.
Cada um de nós tem o seu próprio defeito, mas é este defeito que nos torna únicos, que pode fazer com que nossa convivência seja interessante e gratificante.
Portanto, é preciso aceitar cada um como ele é… e descobrir o que há de bom nele.
Ame as pessoas com seus defeitos... Ame apenas ame!
Desta forma, sempre teremos ‘belas flores’ em nossos caminhos.”   UA


(JA, Mai17)

Postagens mais visitadas deste blog

100 anos do Leblon - os encantos e história do bairro mais charmoso do Rio

Cenário de inúmeras novelas e inspiração de muitos compositores, o local tem centenas de moradores famosos Quando se pensa no bairro do Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, vem na mente o cenário de inúmeras novelas de Manoel Carlos e, claro, a fonte de inspiração de muitos compositores e poetas. Como defini-lo? Calmo e elegante. Ele - localizado entre Vidigal, Gávea e Ipanema - é conhecido por seus ótimos restaurantes, comércio forte, vida noturna agitada, e pelos famosos que circulam por lá, e pelo seu cartão-postal: o mar e o Morro Dois Irmãos. A beleza natural juntamente com outros atributos fazem da localidade uma das mais cobiçadas da cidade e um dos bairros mais caros do país. No último dia 26 de julho, o Leblon completou 100 anos de histórias. Francisca Ornellas Teles e Charles Le Blond Charles Le Blond, 1804-1880, chegou ao Rio de Janeiro em 1830, proveniente de Marselha fundando a empresa ‘Navegação Aliança’ com a finalidade de explor...

Família Jafet, 133 anos em São Paulo

Residência família Jafet, 730 A Família Jafet é uma família de origem libanesa radicada na cidade de São Paulo ao final do século XIX . Pioneiros da industrialização paulistana, seus membros criaram um dos maiores grupos empresariais familiares do Brasil, com empreendimentos no ramo têxtil, mineração, metalurgia, siderurgia, serviços financeiros e navegação. Dedicaram-se ativamente à filantropia, tendo liderado a fundação de instituições como o Hospital Sírio-Libanês, o Clube Atlético Monte Líbano, o Clube Atlético Ypiranga e o Esporte Clube Sírio. Contribuíram com doações significativas para o Hospital Leão XIII (hoje São Camilo) , o Museu de Arte de São Paulo, e a Universidade de São Paulo. Os Jafet foram responsáveis pela urbanização do histórico bairro do Ipiranga, onde instalaram suas primeiras unidades fabris, realizaram obras de infraestrutura e construíram palacetes de grande valor arquitetônico, diversos deles hoje tombados. ‘Os Jafets todos são bons, t...

Quarador

Lugar onde se coloca a roupa para branquear, limpar, expondo-a ao sol Nada mais que uma prática quase em desuso  (ainda resiste principalmente nas pequenas cidades do interior)  que era muito comum até os anos  60.  No tempo das casas com quintal grande e das roupas lavadas ‘no muque’ em tanques  (e, até, em rios) , sem o conforto das máquinas de lavar  (e secar)   de hoje. Um tempo de ‘labuta’ que vai ficando apenas na memória das ‘mais vividas’. ‘Coarar’ ou ‘Quarar’ é o ato de deixar as roupas de cor branca ou clara  (também toalhas, lençóis, etc.)  já lavadas e ensaboadas  (com ‘sabão de pedra’?)  expostas ao sol para ficarem com um branco ‘imaculado’  (sem manchas) . Essa exposição é para branquear ou alvejar  (e não para secar) . As de cores fortes também eram ‘quaradas’, mas em menor escala por causar ‘desbotamento’ com o passar do tempo. O processo de lavagem era trabalhoso: depois de ‘batida’, a roupa era ‘ensaboad...