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Boituva

                                                                Igreja Matriz de Boituva 

Origem

A área do município de Boituva era habitada antes do período da evolução progressista alcançada no século 19, por indígenas da tribo Guaianazes nos arredores de Porto Feliz, e pelos índios Carijós por Sorocaba.

Os índios chamavam o lugar de M-Boituva, que na língua Tupi Guarani significa ‘muitas cobras’, devido ao grande número de espécies que havia no local.

O local considerado lindo, com belas colinas, clima agradável era considerado uma área livre de enchentes. Cultivavam-se tubérculo, milho e algodão e suas colinas não concentravam muitos indígenas devido ao grande número de serpentes que viviam nas proximidades. 

Era uma região entre duas cidades muito importantes na época e a área pertencia aos dois municípios de Sorocaba e Porto Feliz.

A população de Sorocaba nos meados do século 19 já era estimada em 25 mil habitantes. A cidade de Porto Feliz, ponto de partida das famosas monções, que a princípio tinham funções administrativas, militares e científicas, tornou-se ponto de partida de grandes expedições de aventureiros em busca de ouro.

No meio destas duas cidades ficava Boituva já oficialmente com sua área reconhecida pelo nome.

Boituva teve origem na propriedade de João Rodrigues Leite, que foi doador do terreno em que a Estrada de Ferro Sorocabana construiu, em 1883, a estação ferroviária e suas dependências.

Foram seus primeiros povoadores: Eugênio Corte Real, Nicolau Vercelino, Coronel José de Campos Arruda Botelho, e respectivas famílias. O Coronel Arruda Botelho criou o distrito policial local, transferiu a freguesia de Boituva da paróquia de Porto Feliz para a de Tatuí, e criação do distrito de Paz.

Boituva foi elevada à categoria de vila pelo decreto 1014, de 16 de outubro de 1906, e a município pelo decreto 3045, de 6 de setembro de 1937, efetivado em 1938.

Rodovia Castelo Branco

Uma das maiores referências para Boituva é a Rodovia Castello Branco. A cidade deve muito do seu progresso a esta estrada. Para quem não sabe, a Castello Branco foi uma das responsáveis pela instalação do Centro Nacional de Paraquedismo na cidade (último tema da matéria). Além disso, diariamente, dezenas de boituvenses têm uma rotina de trabalho na capital paulista, indo e voltando todos os dias.

A maior parte dos turistas que visitam Boituva usam esta estrada como o principal caminho, seja pela mobilidade ou pelo conforto e segurança que ela oferece.

Idealizada no ano de 1953, com projeto aprovado em 1961, a Castello Branco começou a ser construída em 1963. Inspirada nos modelos de rodovias norte-americana. Ela seria a primeira autoestrada do Brasil. O projeto apresentava um padrão de alta tecnologia para a época - pistas largas, acostamento com espaço de sobra. e curvas suaves que permitiriam aos carros trafegarem em uma velocidade mais elevada. 

Foto antiga da Rodovia Castello Branco

Com o objetivo de reduzir o tempo de viagem e expandir o interior, o projeto inicial da estrada ligaria a cidade de São Paulo até Presidente Epitácio, fazendo divisa com o estado de Mato Grosso do Sul. Porém, a rodovia só foi construída até a cidade de Santa Cruz do Rio Pardo.

Em 1968, o trecho entre São Paulo e Torre de Pedra, que contempla a cidade de Boituva, foi entregue, sendo este um grande marco para o desenvolvimento da região. Naquele momento, aqueles que desejavam explorar o interior paulista, poderiam contar com o suporte da moderna Rodovia Castello Branco. O último trecho da rodovia foi inaugurado no ano de 1981 na cidade de Santa Cruz do Rio Pardo. 

Inauguração da Rodovia Castello Branco

A Rodovia Castello Branco não representa apenas uma estrada em Boituva, está presente na cultura do município. Bairros como a Águia da Castello que fazem referência a estrada, empresas que são implantadas no município graças a mobilidade que a via oferece, e aos turistas que conhecem os encantos de Boituva e acabam escolhendo esse belo lugar para viver.

Curiosidades

o    Hoje em dia, ainda existem projetos de expansão para a rodovia, atualmente com 315 km de extensão.

o    Em Boituva, a rodovia tem uma extensão de aproximadamente 20 km.

o    Transitam na Castello Branco uma média de 260 mil veículos diariamente.

o    O maior grafite do mundo, feito pelo artista Eduardo Kobra, fica às margens da estrada na fábrica da Cacau Show na cidade de Itapevi. 

Centro Nacional de Paraquedismo


A primeira coisa que vem na cabeça do boituvense quando perguntam sobre Boituva é o Centro Nacional de Paraquedismo. A cidade é famosa por ser a capital nacional do paraquedismo, e ter a maior área para a prática do esporte na América Latina. Mas poucas pessoas sabem como o paraquedismo pousou em Boituva.

Para entender melhor esta história, precisamos voltar há nove décadas quando Boituva iniciou sua relação com os bons ares vindos do céu. O primeiro pouso registrado em Boituva foi no ano de 1930, quando um avião Pirajá, pilotado pelo Comandante Hammer, e proprietário da viação Condor no Brasil, fez um pouso de emergência em um local plano da cidade, próximo ao Hospital São Luiz. Ele foi recebido por grandes nomes da época que hoje nomearam ruas, escolas e memórias da cidade. Foram eles: Ricieri Primo, Rodrigo Holtz, Humberto Primo, Antonio Rosa Santos, Manoel dos Santos Freire, e Prof. Roque Vieira Dias.

O Comandante Hammer, com seu Pirajá, estava inaugurando uma linha comercial que iria de São Paulo para Cuiabá. A pista foi limpa e, no dia seguinte, ele pôde cumprir a missão do seu voo inaugural. A Viação Condor é conhecida por ser a precursora da grandiosa Varig, que operou no Brasil por muitos anos. 

Avião do Comandante Harmmer sendo recebido por: Ricieri e Humberto Primo, Antônio R. Santos, Rodrigo Holtz, Roque V. Dias, e Manoel S. Freire

No ano de 1942, é expedido o primeiro brevê de piloto para um boituvense, o Sr. Gabriel Assumpção Netto. Até o ano de 1967, Boituva não possuía um aeródromo oficial. É neste ano que tudo começa a mudar em Boituva. O Estado de São Paulo estava investindo em infraestrutura rodoviária com a construção da rodovia Castello Branco. e precisava transportar seus funcionários com mais mobilidade. Então, a empreiteira responsável resolveu construir um campo de pouso e decolagens.  O terreno do local foi cedido pela Sra. Desdêmona Primo Pinezi, onde hoje se localiza o Centro Nacional de Paraquedismo (CNP).

Até o ano de 1968, a cidade não estava nos mapas rodoviários do estado, mas já aparecia em uma publicação técnica da Aeronáutica sobre as especificações da pista. Em 1969, a área da pista foi vendida para o senhor Alfredo Sartorelli.

Até o ano de 1971, aos aviões eram os únicos que pousavam em Boituva, mas a cidade estava prestes a dar um salto que mudaria sua história para sempre.

O Advogado Dr. Newton Raul Faria de Almeida, que frequentava a Corporação Musical Sagrado Coração de Jesus, notou a situação difícil pela qual a organização cultural passava, e resolveu criar uma apresentação de paraquedismo, com o intuito de arrecadar fundos para a instituição.

Como as apresentações aeronáuticas não podem ter fins lucrativos, a Sra. Zélia Franco de Mello produziu algumas flores de pano moldadas com parafina, e ficou na entrada do local com suas flores. Cada espectador que oferecesse uma contribuição para a banda, recebia uma flor de brinde.

O evento ocorreu na chácara Laureano, que se localizava no final da rua 16 de Outubro. O evento foi bem aceito pelo público, que lotou o lugar para ver a apresentação de paraquedistas. Um avião Cessna decolou da cidade de Americana, lançando sobre um alvo improvisado nas terras boituvenses os primeiros três paraquedistas a saltarem na cidade, eram eles:  Bié, Salti e Ademir.

Apesar da grande quantidade de pessoas, o público se manteve bem-organizado, respeitando as cordas de contenção, e não houve nenhuma ocorrência registrada. A organização musical conseguiu arrecadar uma quantidade significativa de fundos. No momento em que os paraquedistas tocaram o solo, presentearam Boituva com a ideia do que hoje destaca a cidade no país e no exterior. 

Primeiro salto de paraquedas realizado em Boituva, ao fundo da imagem pode se notar a multidão. Estão presentes na foto: Décio F. Almeida, Bié, Tancredo Primo, Eurico Ferriello, Salt, Lelo, Ademir, e Roberto Faria de Almeida
O quase não paraquedismo

No mesmo ano, em 1971, surgiu a ideia pela União Brasileira de Paraquedismo da criação de um centro nacional de paraquedismo. A ideia era criar um espaço onde todos os atletas pudessem se reunir para a prática do esporte. A organização, que era presidida por Décio Almeida, irmão de Newton Faria, cotou a cidade de Limeira para a implantação do Centro Nacional de Paraquedismo. Porém, iluminado pelas ideias de Newton sobre os benefícios da cidade de Boituva, Décio decidiu que a primeira cidade que doasse a área para a construção seria o Centro Nacional de Paraquedismo.

Foi iniciada a competição para definição da sediadora do grandioso projeto. De um lado Boituva e do outro Limeira. O Sr. Newton foi encarregado da grande missão de ‘implantar o CNP em até 90 dias’, estas atribuições eram oficiais da união.

Muitos contratempos foram vencidos neste meio tempo, problemas com a oficialização do local, tamanho das terras, a corrida incansável entre Boituva e Limeira, problemas de todos os tipos surgiram. Mas, no dia 13 de outubro de 1971 tudo ocorreu com perfeição, e Boituva acabou por conquistar o Centro Nacional de Paraquedismo, sendo este o primeiro da América Latina.

No mesmo ano, em 21 de novembro, foi fundado o hoje extinto ‘Clube de Paraquedismo de Boituva’. Em 21 de dezembro o Rotary Clube de Boituva parabenizou o Sr. Newton e Alfredo por uma notícia de um jornal de Limeira que reconheceu a pequena cidade de Boituva, com apenas seis mil habitantes, pelo mérito da conquista do Centro Nacional de Paraquedismo. Essa era a prova mais clara que Boituva havia ganho a disputa.

No dia 26 de dezembro, com a energia de um final de ano magnífico para a cidade, ocorreu o primeiro salto oficial no Centro Nacional de Paraquedismo. Os primeiros paraquedistas foram lançados a uma altura de 750m, por um avião Cessna 170, prefixo PT-AFU, pilotado pelo comandante Avelino Alves de Camargo.

Os atletas saltaram na seguinte ordem: Pedro Carlos Dalmazzo, seguido de José Carlos de Camargo, Zezito Rosa, e Antonio Carlos Nogueira.

No segundo lançamento, saltaram: José Olímpio de Barros, Roberto Pegorelli, e José Carlos de Camargo.

No ano seguinte, em 1972, foi realizado o Campeonato Brasileiro de Paraquedismo, destacando ainda mais a cidade de Boituva.

Para quem pensava que o Centro Nacional de Paraquedismo chegou por acaso em Boituva, conseguiu reconhecer por meio dos fatos que existiu muita luta, conquistas e pessoas engajadas, para que este sonho se tornasse realidade. Um sonho que, além de se realizar, mudou o destino da cidade para sempre, com o desenvolvimento e o turismo que impacta até hoje a economia do município.

Uma curiosidade sobre a pista do Paraquedismo é que ela está localizada no mesmo meridiano, grau e minuto da cidade de Brasília, sendo uma linha reta para a capital do país. 


Fonte: SoluTudo | Prefeitura Municipal de Boituva | WP

 

(JA, Mai22)

 

 


 

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